À primeira vista, a fachada da Escola Municipal José Silvino de Oliveira, localizada estrategicamente no centro de Guamaré, próximo a importantes pontos como o Hospital Manoel Lucas de Miranda e a Rodoviária, não aparenta sinais de problemas. Contudo, a realidade interna é um triste retrato do abandono e negligência que assolam este patrimônio público dedicado ao ensino infantil.
A unidade escolar está fechada há algum tempo, após decisão da prefeitura de transferir suas atividades para um prédio alugado na comunidade rural de Salina da Cruz. A mudança que gerou grande insatisfação entre os pais de alunos e a comunidade escolar, que lamentam a distância e o impacto dessa decisão, conduta que aparenta priorizar aluguéis de imóveis privados em vez de investir na reforma do prédio público existente.
Promessas de reforma e ampliação feitas pelo ex-prefeito Arthur Henrique Teixeira durante seu mandato ficaram apenas no papel. Num primeiro instante a intenção que parecia positiva, na verdade estava marcada pela influência de terceiros, especialmente seu tio Hélio Willamy, que há muito tempo defende a locação de imóveis e distribuição de benesses a correligionários.
A alocação de repartições públicas em imóveis alugados tem sido alvo de críticas da população e de discussões acaloradas nas redes sociais. Muitos questionam o peso financeiro dessa escolha para os cofres municipais e o impacto nos serviços públicos.
A escola, que já foi um ícone de qualidade no ensino público municipal, destaca-se agora como símbolo do abandono. Profissionais dedicados do passado lutaram contra adversidades para oferecer ensino de excelência, sempre colocando o aluno em primeiro lugar.
Infelizmente, o prédio hoje encontra-se deteriorado, juntando-se a outros patrimônios públicos esquecidos, como o Polo UAB, a Biblioteca Municipal e a Fábrica de Polpas de Frutas, que também sofrem os efeitos do tempo e descaso.
O protagonismo na história educacional de Guamaré, hoje se ergue como um testemunho do esquecimento. Restando saber se este patrimônio tão significativo será resgatado ou continuará sendo apenas uma lembrança do que poderia ter sido.
NOTA DO BLOG
Escolher é um ato de poder, mas também de responsabilidade. Quando o cidadão olha para trás e percebe que as escolhas feitas favoreceram o “velho” em detrimento do futuro, surge um sentimento de arrependimento difícil de ignorar. Essa reflexão, por mais amarga que seja, também traz uma lição valiosa: o aprendizado.
Reconhecer um erro não é fraqueza, é evolução. É a oportunidade de ressignificar decisões futuras, colocar o coletivo acima do individual e priorizar o progresso em vez do comodismo. Cada escolha carrega consequências que moldam não apenas o presente, mas também a esperança que deixamos para as próximas gerações.
O desafio, no entanto, está em transformar esse arrependimento em ação. O futuro não pode ser negligenciado, porque é nele que repousa tudo que ainda pode ser construído, corrigido e transformado. Que essa reflexão inspire coragem para mudar e visão para não repetir os mesmos passos. Afinal, o futuro não se espera, constrói.